Como estudar nos EUA?

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De modo diferente do Brasil, onde os resultados do vestibular decidem quem entra na faculdade, nos Estados Unidos usa-se um processo mais holístico. É importante que todos os alunos interessados em fazer graduação nos EUA, e os pais deles, entendam os componentes do application americano e saibam como começar o processo de candidatura.

Favor leia as seguintes seções:


Algumas diferenças entre o sistema brasileiro e o americano

Para contextualizar o application process americano, discutamos algumas diferenças importantes entre o sistema universitário brasileiro e o americano. Lembre-se que nos EUA há aproximadamente 4.000 instituições de ensino superior; aqui focamos nas mais seletivas e academicamente rigorosas, como tal Yale, Chicago, Penn, etc.

Nos EUA, quase todos os colleges mais concorridos e seletivos são particulares.
As primeiras faculdades e universidades de pesquisas apareceram muito mais cedo nos Estados Unidos do que no Brasil. Harvard foi fundado em 1636; o College of William and Mary, em 1693; Yale, em 1701; a Universidade de Pennsylvania, em 1740; Princeton, em 1746… Enfim, os americanos já disfrutavam de muitas instituições particulares antes do século XX. Apesar de algumas públicas serem fundadas no fim do século XVIII ou no século XIX (por exemplo, a Universidade de Georgia, em 1785), foi somente nos últimos 140 anos que a rede de universidades públicas cresceu bastante. O resultado desta história é que hoje quase todos os colleges mais concorridos e prestigiosos são particulares.

O Wren Building, do College of William and Mary, é o edifício universitário mais antigo dos EUA: sua construção começou na última década do século XVII.

As universidades americanas são residencias.
No Brasil, a maioria de alunos fica na sua cidade natal para fazer graduação. Mas nos EUA, grande número de alunos estudam longe da sua casa e da sua cidade natal. As universidades americanas têm dormitórios, refetórios e outros serviços residenciais para suas comunidades estudantis, que são geográfica, sócio-econômico e culturalmente diversas. Essa diversidade inclui nacionalidade: pessoas do mundo inteiro vêm estudar nos Estados Unidos.

As universidades públicas nos EUA não são gratuitas.
Nos EUA, até as universidades públicas não são gratuitas. A expectativa é que os alunos com recursos suficientes paguem. Em geral, é mais barato estudar numa universidade pública do que numa particular; porém, as particulares freqüentemente têm programas de auxílio financeiro bem mais generosos, graças ao endowment delas.

Seleção é instituição por instituição, não curso por curso.
No Brasil, o aluno disputa uma vaga num curso específico: direito, medicina, relações internacionais, economia… Nos EUA, você disputa uma vaga instituicional. Isto é, você não tem que escolher um curso antes de entrar na faculdade.

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A filosofia dos liberal arts

O sistema de educação brasileiro é pre-profissional: o aluno escolhe um curso–por exemplo, engenharia, medicina, relações internacionais, letras ou direito–antes de entrar na faculdade e o segue até se formar. A vantagem deste sistema é que o aluno se forma com conhecimento profundo de uma disciplina. Porém, por obrigar o aluno a escolher uma carreira tão cedo, o sistema é rígido: o aluno que descobre que outra carreira seria melhor para ele, precisa fazer outro vestibular e recomeçar seus estudos universitários.

A gradução norte-americana segue outra filosofia educacional. O sistema dos liberal arts encoraja o aluno a desenvolver vários interesses intelectuais numa variedade de disciplinas acadêmicas. Não é necessário que o aluno escolha uma carreira pré-profissional antes de entrar na faculdade. Pelo contrário, tem até quatro semestres para experimentar todas as disciplinas que lhe interessem: a literatura, a história, a matemática, as ciências naturais, a filosofia e a teologia, a antropologia e a arqueologia, as relações internacionais, a economia… Tudo é aberto. Depois de experimentar o aluno escolhe e estuda uma disciplina específica, mas ainda tem tempo para continuar cultivando outros interesses acadêmicos de uma maneira abrangente.

Por não serem pré-vocacionais, os liberal arts não obrigam o aluno a escolher uma carreira específica. Ao invés disso, o aluno terá várias opções de emprego depois de se formar na faculdade. Se quiser se especializar, pode estudar direito, medicina, odontologia ou administração num programa de pós-graduação.

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Componentes do application

No Brasil, é o vestibular que decide quem é aprovado para estudar numa universidade. Nos Estados Unidos, porém, usa-se um processo muito mais holístico, que avalia o candidato no seu próprio contexto educacional. O application americano consiste nos seguintes componentes:

O histórico escolar.
Quais notas o aluno recebeu durante o ensino médio? Será que o aluno se dedicou às suas aulas e ao seu empenhou acadêmico? Até as faculdades mais seletivas não requerem que os candidatos tenham um histórico perfeito, mas é importante que demostrem um alto nível de compromisso acadêmico. Para ler como é que um comitê de admissão avalia os históricos escolares, clique aqui.

Provas padronizadas: o SAT, o SAT Subject Test e o TOEFL.
Estas provas são requeridas por quase todas as faculdades mais seletivas nos EUA. Leia mais aqui.

Cartas de recomendação e avaliação colegial.
Leia mais aqui.

Redações e formulários adicionais (determinados por cada faculdade).

Atividades extracurriculares e participação comunitária.

O personal statement.
No seguinte vídeo, alguns brasileiros oferecem dicas para escrever bem o personal statement:

Dicas para escrever o personal statement

Dicas para escrever o personal statement

Este vídeo requer o Adobe Flash para reprodução.

Entrevista.
O candidato faz a entrevista com um aluno atual ou ex-aluno aqui no Brasil. Alguns colleges não requerem entrevistas pessoas, e outros não os fazem fora dos Estados Unidos. Em tais casos o aluno internacional NÃO será prejudicado por não fazer uma entrevista. No seguinte vídeo, a Jessica Costanzo, do Rio de Janeiro, relata como foi sua entrevista com um ex-aluno da Georgetown:

Alumni interview

Alumni interview

Este vídeo requer o Adobe Flash para reprodução.

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Como começar o application process?

Agora que você tem lido bastante informação sobre o sistema universitário e o processo seletivo dos EUA, devemos explicar os primeiros passos do processo de candidatura.

Lembre-se: tudo começa e acaba na escola. O histórico escolar, que mostra o desempenho acadêmico do aluno ao longo do ensino médio, é sem dúvida o componente mais importante do application. Não é que todas as notas tenham que ser “perfeitas,” mas é crucial que o aluno tenha estudado com entusiasmo e tirado resultados impressionantes. Então, para os alunos interessados em estudar numa instituição seletiva americana, nosso conselho é franco: Dedique-se ao seus estudos no ensino médio.

No 2o ou início do 3o ano do ensino médio, comece a pesquisar faculdades que lhe interessem. Quais oferecem os programas acadêmicos e as atividades extracurriculares que chamem sua atenção? Quais oferecem o nível de apoio financeiro que a sua família precise receber? Muitos alunos só pensam nos nomes mais famosos e prestigiosos: Harvard, Yale, Princeton, MIT, Stanford… Universidades fabulosas, com certeza, mas super seletivas. Devido ao nível de concorrência que tem hoje, ninguém deve se candidatar somente às instituições do Ivy League. O importante é que você pense primeiro nos seus interesses e suas necessidades.

Para começar, favor dê uma olhada em “Tips on Choosing Colleges”, um guia e formulário interativo preparado pelo ILRIO. Clique aqui para ver todos nossos downloads para alunos e pais.

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O cronograma do processo seletivo

Há que entregar todos os applications até o 31 de dezembro ou o 1o de janeiro, dependendo das exigências de cada faculdade. Porém, tem que começar a fazer o processo bem no início do 3o ano do ensino médio. Recomendamos o seguinte cronograma:

  • 9o ano do ensino fundamental, 1o ano do ensino médio e 2o ano do ensino médio: Até no final do ensino fundamental e nos primeiros dois anos do ensino médio, é importante que você se dedique às suas aulas acadêmicas e participe em atividades extracurriculares, desenvolvendo seus talentos especiais.
  • Março/abril do 3o ano do ensino médio: Fazer as inscrições para o SAT no site do College Board e preparar-se para as provas.
  • Maio/junho: fazer o SAT (e os SAT Subject Tests também, se for possível).
  • Até setembro: Pedir as cartas de recomendação e fazer o TOEFL.
  • Outubro: re-fazer o SAT e os Subject Tests, se for necessário.
  • Início de novembro: Finalizar o “college list” e escrever os personal essays. Pedir cópias do seu histórico escolar/boletim.
  • Dezembro: Entregar todos os applications.
  • Janeiro: RELAXAR!
  • Final de março/1o de abril: As decisões de aprovação serão divulgadas.

No seguinte vídeos, vários alunos brasileiros enfatizam a necessidade de começar esse processo o mais cedo possível:

É importante começar cedo

É importante começar cedo

Este vídeo requer o Adobe Flash para reprodução.

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Pais: como apoiar seu filho

É essencial que os pais ou responsáveis legais do aluno provenham apoio durante o application process. Ainda que você não fale inglês, pode contribuir muito!

Recomendamos os seguintes passos:

  • Fale com seu filho sobre os interesses e preferências dele. Quais disciplinas acadêmicas lhe interessam? Quais atividades já gosta de fazer e quais gostaria de provar? Que tipo de ambiente seria melhor: uma faculdade pequena ou uma universidade maior? Um lugar rural ou um centro urbano? Uma idéia mais completa dos interesses e preferências do seu filho ajudará muito quando vocês pesquisarem faculdades.
  • Pesquise faculdades na internet. Cada universidade tem um site com informações sobre seus departamentos e programas acadêmicos, suas organizações artísticas, atléticas e culturais, a disponibilidade de bolsas para alunos internacionais, etc. (Em geral, as informações estão em inglês.)
  • Pense na situação financeira da sua família. Quanto você já paga pelo ensino médio do seu filho? Quanto poderá pagar se ele for aceito por uma faculdade americana? Uma educação americana requer um investimento financeiro grande. Será que seu filho precisará receber uma bolsa para poder estudar nos EUA? Se a resposta é “sim” ou “talvez”, favor leia mais na nossa seção de Bolsas e nos websites de faculdades individuais.
  • Encoraje seu filho a pesquisar uma variedade de universidades. Queremos que mais alunos brasileiros estudem nos oito membros do Ivy League (Harvard, Princeton, Yale, Pennsylvania, Columbia, Brown, Dartmouth e Cornell) e em outras faculdades ótimas (por exemplo, Swarthmore, Chicago, Reed e Duke), todos os quais oferecem uma educação de nível superior. Porém, são instituições concorridíssimas; por exemplo, em 2009 Harvard aceitou menos do que 8% dos aplicantes! Recomendamos que nenhum aluno se candidate somente às faculdades mais famosas ou prestigiadas.
  • Ajude seu filho a preencher o Common Application. O formulário usado por quase quatrocentas faculdades norte-americanas, o Common App tem vários componentes obrigatórios. Será mais fácil preenchê-los se você estiver livre para ajudar seu filho.
  • Insista em que seu filho complete todos os formulários antes dos prazos finais. Embora cada faculdade tenha um prazo particular, em geral é preciso entregar tudo antes do Ano Novo. Se seu filho esperar até novembro ou dezembro, não terá tempo para preencher todos os documentos nem para escrever o Personal Statement, o componente mais individual–e mais difícil–da candidatura. O ILRIO requer que os alunos participantes do nosso programa completem tudo antes dos prazos finais.

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Bolsas e auxílio financeiro

Inegavelmente, pode ser caro estudar fora do Brasil, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país. Porém, muitas universidades americanas oferecem bolsas e outros tipos de auxílio financeiro para alunos cujas famílias têm recursos mais limitados. Leia mais sobre bolsas aqui.

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